Sistema ósseo e exercício
A matriz óssea é composta por uma parte orgânica (35%, representa a flexibilidade do osso), e uma parte inorgânica (65%, representa a rigidez e resistencia do osso) cuja composição é dada basicamente por íons de fosfato e cálcio, formando cristais de hidroxipatita. A matriz orgânica é composta na sua grande maioria por colágeno tipo I, sendo assim, quando o osso apresenta-se descalcificado, ela cora-se com os corantes específicos do colágeno.
- Hipocalcemia: osteoclastos tiram Ca++ do osso para manter o Ca++ em níveis normais; Osteoclastos criam um "buraco" no osso, pela retirada do Ca++;
- Quando os níveis de Ca++ voltam ao normal, osteoblastos reabsorvem Ca++ circulante e "cobrem" os buracos do osso;
- Este ciclo é extremamente útil para manter o osso renovado.

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Efeito Piezoelétrico:
Efeito piezoelétrico é a propriedade que alguns materiais possuem de converter energia mecânica em corrente elétrica. "Piezo" é uma palavra grega que significa "comprimir". O efeito foi descoberto por Pierre Curie e Jacques Curie em 1880. O Dr. I. Yasuda descobriu a existência do efeito piezoelétrico nos ossos em 1957.
A maioria dos ossos consistem de matriz óssea que pode ser inorgânica e orgânica. A hidroxiapatita, que é transparente, forma a parte inorgânica da matriz óssea. Por outro lado, o colágeno tipo I é a parte orgânica da matriz. Estudos revelaram que a hidroxiapatita é responsável pela piezeletricidade nos ossos.
Quanto a origem da piezeletricidade nos ossos, quando as moléculas de colágeno, que possuem condutores de carga, sofrem pressão, seus condutores interiores se deslocam para a superfície do espécime, e o que produz potência elétrica no osso.
Atividade piezoelétrica aumenta a deposição de cálcio local. A pressão no osso produz o efeito piezoelétrico. Esse efeito, por sua vez, atrai células de formação óssea (chamadas de osteoblastos) por causa da formação de dipolos elétricos. Desse modo, mineirais (principalmente o cálcio) são depositados na parte óssea que está sofrendo a pressão. Por isso o efeito piezoelétrico aumenta a densidade óssea.

(O impacto induz à depoisção de cálcio no dipolo, aumentando a densidade mineral óssea.)
Importância: Um estímulo elétrico externo pode resultar em cura e recuperação óssea. Além disso, o efeito piezoelétrico no osso pode ser utilizado para a remodelação óssea. Em 1892, o Dr. Julius Wolff notou que o osso adquire uma nova forma em resposta às forças que agem sobre ele. Essa reação também é conhecida como Lei de Wolff.
Lei de Wolff:
O impacto de um osso com outro estimula a atividade osteoclástica, desgastando o osso. Região onde se aplica a força aumenta a atividade de osteoclastos e de osteoblastos na região contrária -> aumento da mineralização óssea. O osso responde dinamicamente a presença ou ausência de tensão com mudança de tamanho, forma e densidade. Quanto maior a força regularmente aplicada, maior a mineralização do osso. Relação com o exercício:
Exercício:
- Lei de Wolff: gera tensão porque impõe carga. O exercício também aumenta a calcitonina, que aumenta a DMO.
- Efeito Piezoelétrico: O impacto induz à deposição de cálcio no dipolo, aumentando a densidade mineral óssea. Baseado nisso, é interessante fazer exercícios com certo impacto em idosos (favorencendo a DMO), no entendo, deve-se ter cuidado com o desgaste que pode ser ainda mais gerado na coluna vertebral.
- O exercício físico regular aumenta a densidade óssea (hipertrofia), e o sedentarismo diminui a densidade, causa desmineralização (atrofia)
OBSERVAÇÃO: Amenorréia (pós-menopausa): Mesmo com o exercício a DMO não aumenta muito, é necessário aliar exercício + estrogênio! Se ingerir só cálcio ou só estrogênio a DMO não melhora, porque eles serão eliminados do organismo, é necessário aliá-los ao exercício.

Após a menopausa, a mulher sofre uma grande diminuição na sua produção de estrogênio (estimula a síntese e a mineralização da matriz óssea). Esse hormônio tem como função ativar os osteoblastos (deposição de Calcio no osso). O treinamento aumenta os níveis de calcitonina, consequentemente diminuindo o Cálcio sérico, aumentando a DMO (densidade mineral óssea). Aliado ao exercício, como fisioterapeutas, indicaríamos que o paciente procurasse o acompanhamento de um nutricionista, objetivando uma alimentação balanceada rica em Cálcio. A reposição hormonal seria uma opção também, porém ela muitas vezes á mau vista pois pode causar danos ao fígado e outras estruturas.
